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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ferramentas de Gestão: Método e Filosofia Kaizen

O método Kaizen tem origem no Japão, e sua tradução de palavra na língua japonesa representa que “Kai”, tem o significado de “mudar” e  de que “Zen” significa “melhor”, portanto, melhoria, assim o Kaizen tem como princípio o de trazer mudanças melhores que permitam melhorias contínuas nos processos de uma empresa, sendo, muito usado nas indústrias, inclusive no Brasil. O princípio Kaizen é reconhecidamente aplicado com sucesso por exemplo, no Sistema de Produção das montadoras automobilísticas Toyota e Porsche.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, o Japão devastado pelas bombas atômicas, precisou reorganizar as suas indústrias para um renascimento, e com este renascer nasceu também a filosofia do Kaizen, que foi aplicada numa mesma época em diversas indústrias japonesas, tendo tanto sucesso, que não apenas as mesmas cresceram, como também a filosofia deste método se espalhou pelo mundo inteiro, abrangendo, inclusive, outros segmentos empresarias, além das indústrias.

Este nascimento e também esta difusão mundial do princípio do Kaizen, tem como o seu principal idealizador o nobre Professor Masaaki Imai, um grande guru japonês da qualidade, que escreveu vários livros sobre o assunto, além de ministrar diversas conferências sobre o tema pelo mundo desenvolvido, Masaaki Imai  é também o criador do Instituto Kaizen que conta com escritórios espalhados por diversos países do mundo, que tem como missão difundir a filosofia Kaizen pelo planeta.

Assim, se entende que sempre um processo pode melhorar, por melhor que esteja, pois, em termos da qualidade até o ótimo pode ser continuamente melhorado, e dentro disto, o Kaizen proporciona a redução de custos, a eliminação de desperdícios e o aumento da produtividade de uma empresa, além de melhorar o ambiente de trabalho pelas melhorias que gera. Também é um método que favorece a inovação e a apresentação de ideias de todos, não apenas de gestores, mas também dos próprios empregados como colaboradores de uma empresa, fato este que torna o clima do ambiente de trabalho mais participativo, democrático e desafiador, sendo, comum que as indústrias de porte que seguem o método Kaizen, premiarem os seus colaboradores que tem suas ideias aprovadas dentro do princípio do Kaizen.
Imagem http://www.escolaedti.com.br

A filosofia Kaizen, entende que pessoas e os processos estão ligados, e isto permite que as pessoas sejam as mais indicadas para melhorem continuamente os processos, pois, deles participam intimamente. Neste mesmo pensamento o trabalho coletivo deve prevalecer sobre o trabalho individual, pois, sendo os processos interligados numa empresa, da mesma forma as pessoas devem estar ligadas em seus esforços, e, portanto, a filosofia do Kaizen exige o envolvimento de todas as pessoas de uma empresa, desde de o CEO até os operários do chão de fábrica. O método Kaizen assim, como os demais programas da qualidade, tem o cliente como o seu foco principal.

O método Kaizen para funcionar bem numa empresa, tem como premissa a conscientização e o apoio da Alta Direção desta empresa, que deve além de patrocinar o programa, colocá-lo dentro da programação de todas as estratégias empresariais.

Como o método Kaizen, envolve toda a empresa como organização, a conscientização deve ser todos, e para isto a empresa deve promover treinamentos contínuos sobre o método para todos os envolvidos com a empresa, sejam eles, gestores, sejam eles empregados como colaboradores. Assim, dentro da filosofia do Kaizen, todos na empresa passam a ser vistos como solucionadores de problemas, integrando assim os conhecimentos de todos os envolvidos nos processos, devendo para isto a comunicação fluir bem na empresa, assim, como a análise de todas as ideias propostas, inclusive, das mais simples ou muito complexas. Portanto, nenhuma ideia deve ser descartada de imediato sem uma reflexão, e todos devem ser motivados a apresentarem suas ideias, tendo espaço para isto e dentro de uma comunicação clara e aberta.

Enfim, toda a empresa sempre tem e terá um problema a resolver, ou seja, alguma situação que atrapalhe ou mesmo que impeça o bom andamento das suas atividades, ou uma necessidade de melhoria a implementar, ou seja, algo que já esteja bom, mas que possa ser melhorado.

Para a implantação do método Kaizen em uma empresa, desde que a premissa do envolvimento da alta direção da empresa já esteja concluída e que os demais participantes do método como os gestores e empregados já estejam devidamente treinados e conscientizados, normalmente temos 4 fases a seguir:

A 1ª fase é a definição do problema ou da melhoria a ser buscada através da sua identificação, a partir de ideias dos empregados colaboradores, ou mesmo da visão de gestores ou de outros participantes do programa. Nesta fase são ainda interpretadas e medidas as propostas identificadas, através de um estudo que mapeia sobre a situação atual do problema ou da necessidade de melhoria a fim de constatar a sua real existência e a dimensão das consequências atuais que isto esteja causando à empresa, assim como a viabilidade de aplicação da proposta.

Sendo procedente e viável a proposta, é realizada a análise na 2ª fase, que visa identificar a causa ou causas raiz que gera o problema ou da necessidade de melhoria, pois podem ser mais de uma, bem como o planejamento das correções ou das necessidades de melhorias que devem ser implantadas, nesta etapa pode usar por exemplo várias ferramentas de gestão como Diagrama de Ishikawa, o 5 Por Quês, etc para investigar-se as causas. Nesta etapa são ainda definidos os indicadores que serão usados para o controle da efetividade das propostas, tanto na implantação, como depois na manutenção das mesmas nos processos da empresa. Para o sucesso desta fase, é fundamental que o líder ou gestor envolva todas as pessoas que estejam implicadas direta ou indiretamente na situação para participarem da proposição das soluções.

Na 4ª fase ocorre implementação da correção ou da melhoria proposta, através da prática do que foi planejado na fase anterior, e por fim na 5ª fase é monitorada constantemente a implantação da melhoria ou da correção de um problema, a partir da observação permanente dos indicadores criados na 3ª fase. Isto permite, que não apenas que a melhoria ou correção do problema funcione bem, como também para que e implementação se perpetue na empresa, ou seja, que as mudanças para melhor permaneçam.

O Kaizen, é um método que para funcionar bem precisa se inserir na Cultura Organizacional de uma empresa, pois, se trata de um método que tem principal característica uma filosofia de melhoria contínua a ser seguida. Para que o método seja efetivo, a empresa deve ter uma cultura organizacional aberta a constantes mudanças.

A seguir apresento algumas boas práticas do método Kaizen que verifiquei no mercado:

- Pontuar e Premiar Ideias Aprovadas e sua Qualidade e não apenas a Quantidade: Apenas ideais aprovadas devem ser pontuadas ou premiadas, senão o Kaizen, deixa de privilegiar soluções e qualidades, e se foca na quantidade, muitas vezes, sem a devida qualidade. Enfim, quando se pontua ou premia ideias sem análise, isto motiva, que qualquer sugestão seja apresentada, e não uma ideia propriamente dita e pensada;

- Premiação das Ideias Aprovadas: Os prêmios normalmente, são nas formas de jantares em restaurantes ou viagens, mas há empresas que também premiam em valores monetários;

- Premiação por pesos: Cada ideia aprovada recebe um prêmio proporcional a sua dimensão de melhoria ou de solução de um problema. Isto permite que quanto melhor for uma ideia, melhor ela seja recompensada, trazendo uma justa diferença de reconhecimento. Algumas empresa criam escalas de pesos, por exemplo ideias de pesos de 1 a 10=R$ 100,00; de 2 a 20=R$ 200,00 e assim sucessivamente até um teto, que certas vezes chega a R$ 2.000,00;

- Publicação do Ranking do Kaizen: Normalmente no mural da empresa, assim, como na intranet da mesma, é divulgado constantemente o ranking de ideias do Kaizen aprovadas pela ordem de importância e as melhorias que elas trarão, assim, como os nomes de cada empregado que as criou e a premiação que receberá, dando maior publicidade interna o Kaizen, incentivando as participações e também solidificando a transparência do método favorecendo a confiança dos participantes no mesmo. Pode-se ainda incluir no Ranking, o andamento das análises das ideias, ou seja, em que patamar e tempo estão em termos de avaliação de eventual viabilidade;

- Retorno das ideias não aprovadas e as justificativas desta aprovação: As ideias reprovadas, precisam ter suas justificativas de reprovação divulgadas ao menos aos empregados que as criarem, ou mesmo publicamente. Isto permite manter a credibilidade do processo e a melhoria contínua das ideias e do próprio funcionamento interno do Kaizen. Os motivos de reprovação de ideias são diversos, mas boa parte deles se referem ao alto custo de investimento para uma solução comparado ao custo benefício, ou mesmo à situação financeira da empresa.

- Inclusão do Kaizen para a pontuação das Avaliações de Desempenho: Atrelar o Kaizen as Avaliações de Desempenho dos empregados, contando pontos para os mesmos em suas avaliações;

- Pontuação do Kaizen para o título de Empregado Padrão: Há empresas que pontuam a quantidade de Kaizens aprovados para a definição do empregado padrão de cada mês, ocasião na qual o empregado escolhido tem uma placa com sua foto destacada no mural da fábrica;


- Monitorar o Kaizen por Funções e não por Áreas: Isto mantém o senso de justiça para a aprovação das ideias, pois a participação de todos no Kaizen deve ser um modo justo e equilibrado, assim, certas áreas, pessoas ou cargos não podem possuir privilégio entre os demais. Por exemplo, a área de mecânica de manutenção deve ter sua participação no Kaizen em sua área, a área de produção com a sua, e assim, sucessivamente. Misturar as áreas permite com que certas áreas tenham mais acesso as informações ou mesmo tempo que outras. Um mecânico de manutenção circula na fábrica e se envolve com bem mais tipos de máquinas que um operador de produção que fica fixo em seu posto e opera uma única máquina, assim, se ambos estiverem no mesmo processo de Kaizen, o mecânico terá maiores possibilidades de vantagens. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ferramentas de Gestão : Benchmarking


O benchmarking é uma ferramenta de gestão de origem americana que permite encontrar um ponto de referência ou padrão para que os processos de uma empresa possam ser comparados com os de outras, e, em seguida avaliados e principalmente melhorados.

A referência de modelo deve ser buscada, preferencialmente, junto às empresas concorrentes ou de reconhecida excelência de gestão portadoras das melhores práticas em seus processos e deve ser realizado continuamente, pois, somente assim a empresa consegue tentar sempre se manter à frente da sua concorrência.

Benchmarking na língua inglesa significa análise competitiva. De acordo o autor Oliveira (2006) o benchmarking pode ser executado em quatro tipos:

- Benchmarking Interno é aquele realizado pela comparação dentro da empresa entre cada um dos processos seus próprios processos.  O benchmarking permite ainda melhorias internas, tendo como padrão de exemplo os melhores processos internos a terem sua filosofia de gestão seguidas pelos demais processos.

- Benchmarking Competitivo é aquele realizado pela comparação entre os processos da empresa com os processos de empresas concorrentes diretas.  Pela ética empresarial é impossível espionar, no entanto, as informações, ainda que mais bem difíceis do que nos demais tipos de benchmarking, podem ser obtidas através de clientes, jornais, livros, revistas, sites e ex-empregados destas empresas.

- Benchmarking Funcional é aquele realizado pela comparação entre processos de uma empresa com os processos de empresas similares, ou seja, não concorrentes diretas.

- Benchmarking Genérico é aquele realizado pela comparação entre processos internos da empresa com os processos de empresas não concorrentes direta ou indiretas, nem similares, que sejam de reconhecida excelência em gestão com qualidade de seus respectivos processos no mercado e que cujas práticas de bom desempenho possam ser adaptadas na empresa.

Imagem informandoedetonando.blogspot.com.br
Afora o benchmarking Competitivo, os demais tipos de benchmarking, possuem a sua coleta de informações realizadas também a partir de entrevistas presenciais ou por telefone, análise de documentos, além de visitas técnicas nas sedes das empresas referências. 

Para a implantação de um benchmarking a empresa deve observar as seguintes etapas:

Formar uma equipe interna responsável pelo benchmarking e definir o seu coordenador, com irrestrito apoio da alta direção da empresa, para implementarem na empresa uma gestão por processos de modo a conhecerem profundamente todos os processos da organização, inclusive, os pontos fortes e fracos dos mesmos;

2º A equipe responsável pelo benchmarking deve identificar as principais empresas concorrentes no seu mercado e as principais empresas líderes no mercado com excelência de gestão no processo a ser comparado, caso não seja concorrente, ou os processos internos de referência no caso de benchmarking funcional;

3º A equipe responsável pelo benchmarking deve identificar as técnicas mais apropriadas para a coleta de informações de acordo com o tipo de benchmarking proposto, realizar a coleta de informações em seguida tabular as mesmas;

Comparar as informações obtidas sobre os processos pesquisados com os processos da empresa.

Incorporar as informações adaptáveis a realidade dos processos da empresa e procurar melhorá-las para superar os processos concorrentes.

Monitorar permanentemente as mudanças realizadas a partir de indicadores de desempenho visando sempre a melhoria contínua dos processos.

Geralmente em empresas adeptas pela gestão por processos o benchmarking é realizado na etapa de análise de processo, imediatamente após a etapa de mapeamento de processo.
Complementarmente a leitura desta postagem sugiro além da leitura das demais postagens de ferramentas de gestão, a leitura da postagem chamada de “A Gestão por Processos: Conceito, Exemplo e Mapeamento de Processos” de janeiro de 2012 presente neste mesmo blog.

domingo, 29 de julho de 2012

Introdução ao PGQP - Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade

O Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade tradicionalmente conhecido sob a sigla PGQP surgiu no ano de 1992 no estado do Rio Grande do Sul e se disseminou por vários estados do Brasil levando conceitos de qualidade. Antes do PGQP os programa da qualidade se limitavam apenas à algumas grandes empresas no Rio Grande do Sul.

A partir da criação do PGQP pelo governo gaúcho ocasião na qual foi feito pelo então governador do estado do Rio Grande do Sul Alceu Collares o convite ao renomado e competente empresário Jorge Gerdau para gerenciar o processo, sendo tão bem sucedido o programa que houve desvinculação do Governo e passou a se tornar uma organização do Terceiro Setor, passando assim a recrutar adesões de organizações de todos os portes para a metodologia de gestão pela qualidade. Hoje o PGQP já conta com a adesão de mais 10.000 organizações.

Anualmente é realizada a cerimônia de entrega Troféus nas modalidades Diamante, Ouro, Prata e Bronze e de Medalhas do Prêmio Qualidade RS à dezenas de organizações que se destacam na busca pela excelência em gestão, processos e inovação como campeãs da qualidade

O prêmio de dá via reconhecimento as empresas que se candidatam e alcançam os requisitos definidos pelo PGQP e abrange empresas de todo o estado do Rio Grande do Sul de todos os portes e segmentos, inclusive, públicas.

Este reconhecimento se dá mediante o trabalho de examinadores devidamente treinados que participam do processo de seleção das organizações vencedoras. O sistema de avaliação do PRGQP mede a evolução das organizações na implementação da metodologia de gestão pela qualidade.

As empresas interessadas participam como candidatas a partir da assinatura de um termo de adesão ao PGQP e da seleção de alguns de seus colaboradores para participarem do curso de avaliadores do programa.

A metodologia do PGQP estimula mudanças no papel dos gestores e colaboradores de empresas, incentivando a todos a contribuírem com ideias para o alcance de melhores resultados e na melhoria contínua dos processos e suas estruturas, bem como a busca pela satisfação e fidelização dos clientes.

Para isto o PGQP conta em sua sistemática com um eficiente e eficaz ferramenta de gestão através do seu Sistema de Avaliação que permite o diagnóstico da situação gerencial das empresas e dos caminhos para a melhoria continua em sua gestão e processos.

O Sistema de Avaliação do PGQP foi elaborado com base nos critérios de excelência do Prêmio Nacional da Qualidade-PNQ, conforme o modelo do Malcolm Baldridge National Quality Award nos Estados Unidos com um instrumento que permite que qualquer empresa, independente do segmento e do porte avalie o seu sistema gerencial e o seu desempenho.

Os critérios de avaliação do PGQP normalmente abordam e pontuam itens como: Liderança,  Estratégias e Planos, Clientes, Sociedade, Informações e Conhecimento, Pessoas,  Processos e Resultados.

O primeiro passo no caminho da busca pela excelência de gestão ao aderir o PGQP é a empresa preencher e sempre manter atualizado um Termo de Adesão no qual ela se compromete a contribuir para o alcance do programa incentivando a participação de seu pessoal nas comissões técnicas, setoriais ou regionais do programa. A seguir a organização deve propiciar em até 12 meses ao seu pessoal de nível gerencial a participação num curso de preparação de 40h sobre gerenciamento pela qualidade reconhecido pelo PGPQ.

Depois designar um coordenador interno para o processo de gerenciamento pela qualidade, que dedicará no mínimo dois dias por mês para ações relacionadas ao PGQP e por fim, elaborar anualmente um Plano de Aperfeiçoamento do Sistema de Gestão com base no diagnóstico da metodologia adotada pelo Sistema de Avaliação do PGQP.

Logo a empresa define a forma com que irá contribuir financeiramente com o PGQP de acordo com uma tabela por porte disponibilizada pelo próprio programa. Depois a empresa organiza e segue um cronograma que envolverá ainda uma autoavaliação de si própria por seus avaliadores treinados e depois por examinadores externos.

 O PGQP ainda realiza constantemente uma série de eventos para a difusão da qualidade e competitividade das empresas e vem fornecendo notáveis avanços na economia gaúcha.

domingo, 8 de julho de 2012

Ferramentas de Gestão da Qualidade: PDCA

O PDCA é uma ferramenta de gestão que permite a melhoria contínua dos processos de produção, qualidade e de negócios. Esta metodologia também é conhecida como “Plan-Do-Check-Act”, cujas primeiras letras de cada palavra em inglês ao serem unidas dão o nome de PDCA.

A ferramenta de gestão PDCA é internacionalmente reconhecida, tanto é que a própria norma ISO 9001/2008 em sua introdução ao tratar da abordagem de processos para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia de sistemas de gestão da qualidade, possui uma nota recomendando que adicionalmente possa ser aplicada a metodologia do PDCA para todos os processos.

O PDCA é tratado como um ciclo de melhoria contínua, também conhecido como ciclo de Shewhart que foi quem o idealizou ou ciclo de Deming que foi quem o aplicou e o disseminou mundialmente. O PDCA se divide em quatro etapas de ciclos contínuos:

 -Plan (planejar): Definir antecipadamente objetivos, metas, caminhos, requisitos, políticas e processos necessários para gerar resultados de acordo com as necessidades dos clientes e dos negócios, ou problemas que impeçam isto e partir destes fixar um plano de ação com as devidas correções.

-Do (fazer): Implementar os objetivos e processos, enfim executar todo o plano de ação;

-Check (checar): Controlar e medir periodicamente os resultados dos processos, produtos e serviços, bem como o alcance de tudo o que foi planejado na etapa “Plan” e o andamento do plano de ação, podendo detectar acertos e erros.

-Act ou Action (agir): Realizar as ações para promover melhoria contínua do desempenho dos processos agindo conforme o que foi avaliado na etapa “Check” corrigindo eventuais erros a partir de investigações de suas causas e com base nelas criar e fazer as ações corretivas.

O PDCA é representado por um círculo de 4 quadrantes onde cada quadrante significa cada etapa pela busca continua das melhorias
Imagem luisfigaro.com.br

A seguir apresento um exemplo do uso da metodologia PDCA na vida pessoal (para facilitar seu entendimento, mas depois transfira para uso empresarial) para a compra de um automóvel:

P-(Plan) Planejar: Fixar o objetivo, por exemplo, o de comprar um veículo, e a partir disto verificar e comparar preços e condições de pagamento, analisar antecipadamente o seu orçamento pessoal presente e futuro;

D-(Do) Fazer: Realizar a compra do automóvel, ou seja, por em prática o planejado;

C-(Check) Checar: Conferir se as condições planejadas estão indo bem, verificar se houve algum gasto extra adicional que impacte no planejado,

A-(Act) Agir: Investigar o por quê do gasto extra, ou seja, a sua causa, e como corrigir o problema do impacto, por exemplo, cortando ou reduzindo gastos de outros itens para transferir o recurso.

Idêntica ação pode ser desenvolvida tanto na área empresarial, como profissional, o que mudará é apenas a forma de atuação, você pode fazer um PDCA para implantar um novo produto na sua empresa, para adquirir equipamentos numa empresa, para criar um processo, enfim para diversas coisas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Gestão da Qualidade: Aspectos Gerais da Norma ISO 9001/2008

ISO é o nome pelo qual é conhecida a International Organization for Standardization (Organização Internacional de Padronização), que é uma entidade fundada em 1947 com sede em Genebra na Suiça que reúne organismos de normalização nacionais para elaborar padrões mundiais de qualidade. Aqui no Brasil a entidade é representada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).  A ISO se divide em versões sendo a atual para fins de certificação a ISO 9001:2008.

Entende-se como Qualidade o grau no qual um conjunto de ações satisfazem as necessidades e expectativas do cliente.

A principal norma de gestão da qualidade é a norma ISO 9001/2008 que regra e padroniza internacionalmente todos os sistemas de gestão da qualidade, os conhecidos SGQs, fornecendo certificações reconhecidas mundialmente para as empresas que a aderem o sistema mediante a avaliação periódica de organismos certificadores através de auditoria externas nas empresas certificadas (para garantir que continuem seguindo a norma) ou que buscam a certificação.

Imagem actreg.com
Porém, quando se fala em gestão da qualidade, não estamos apenas falando de certificações da norma ISO 9001/2008, pois, a gestão da qualidade envolve ainda outros programas como o, 5 S, Qualidade Total, ISO 14000, Programas Regionais da Qualidade, entre outros.

Na gestão da qualidade o ponto de foco central sempre é o cliente, a própria norma ISO 9001/2008 defende com reiteração este objetivo, assim, como a melhoria contínua dos processos, portanto, em termos da qualidade, nada nunca estará ótimo por melhor que esteja, pois tudo é passível sempre de melhoras. Enfim, o cliente é a razão de ser da empresa, sem ele ela não sobrevive.

O ideal é que mesmo quando a empresa não seja certificada pela ISO 9001/2008, exista um sistema de gestão da qualidade que são atividades coordenadas e integradas para a busca e o alcance da qualidade em toda a gestão de processos da empresa, ou seja, em todas as áreas dela.

Dentro desta filosofia existe uma política da qualidade formalizada e difundida com as intenções globais da mesma para toda a empresa, elaborada pela diretoria e que buscará sempre a eficiência e eficácia dos processos tendo como foco de suas ações o cliente. Complementa ainda a política da qualidade com um manual da qualidade esclarecendo como funciona o sistema de gestão da qualidade numa empresa.

Tudo o que estiver de acordo com os requisitos da qualidade é chamado de conformidade, o que estiver ao inverso, é chamado de não conformidade e requer, portanto, ações corretivas eliminando a causa de uma não conformidade já existente e prevenindo a repetição. Existem ainda ações preventivas, que devem ser tomadas para prevenir a ocorrência de uma não conformidade que ainda não ocorreu, mas que potencialmente poderia ocorrer.

Um sistema de gestão da qualidade exige registros que são documentos controlados e organizados que evidenciam a ocorrência das ações da qualidade dando comprovando a existência dela na forma de gestão.

Para uma gestão da qualidade eficiente e eficaz é necessário a realização periodica de auditoria internas, composta por profissionais (empregados da empresa) de diferentes setores da empresa e devidamente treinados, críticos e portadores de um forte senso de melhoria contínua e foco no cliente. Além disto, deve periodicamente haver uma análise crítica da diretoria para verificar a eficácia da qualidade na empresa, a partir de reuniões focadas exclusivamente nisto.

Para se ter um verdadeiro sistema de gestão da qualidade, deve-se ter em mente e colocar em prática os princípios da gestão da qualidade que são os seguintes:

- Foco no Cliente: A empresa somente existe com eles;
- Liderança: Para envolver e conscientizar a todos na busca pela qualidade;
- Envolvimento das Pessoas: Somente com a conscientização e participação das mesmas a qualidade pode ocorrer;
- Abordagem de Processo: Para alcance dos resultados os recursos e atividades devem ser gerenciados como um processo, ou seja, sempre observando a interação entre os mesmos;
- Abordagem Sistêmica para a Gestão: Identificar, entender e gerenciar os processos, sabendo de antemão a relação entre eles;
- Melhoria Contínua: Sempre precisa estar presente, a qualidade é uma ação que não para nunca, sempre busca melhoras;
- Benefícios Mútuos na Relação com Fornecedores: Os fornecedores devem ser vistos como parceiros, pois, isto aumenta a capacidade da empresa e deles para criarem valor agregado para o alcance da qualidade. Assim não se pode explorar drasticamente o fornecedor e vice-versa.

Na prática muitas vezes percebe-se empresas que são certificadas, mas que não tem em mente todos estes princípios citados, você deve estar se perguntando como elas conseguem então se certificarem, eu respondo lhe pedindo para lembrar de uma situação na qual uma empresa que você, um parente, amigo ou conhecido trabalha ou trabalhou e presenciou, viu ou ouviu que em épocas de auditoria da qualidade os setores ficavam sobrecarregados de serviços e as pessoas estressadas num ritmo de correria.  A resposta é simples, tais, empresas não tem digerido e mais que isto aplicado no dia à dia os princípios da qualidade, logo o fazem assim acumuladamente nas vésperas das auditorias colocando a casa em ordem. Se tivessem em mente e em suas ações a gestão da qualidade diariamente, a correria e o estresse jamais haveriam, pois, a empresa estaria com tudo em dia.

Na prática em empresas maiores a área da qualidade está em posição de Staff (assessoria) no organograma se reportando diretamente à diretoria e com poder de influência e assessoria sobre todas as demais áreas da empresa, pois, sua atuação é global. Em empresas médias ou menores, esta área fica vinculada a área de Recursos Humanos, mas neste caso o RH fica em posição de Staff e por conseqüência a qualidade também.

Independente da área da qualidade estar ou não subordinada à área de Recursos Humanos em algumas empresas, em todas elas, é necessário, e mais que isto, vital, uma integração e trabalho em equipe entre ambas, pois, existe uma relação muito forte entre as duas áreas.

As ações da qualidade em envolver liderança e liderados e a necessidade de difundir suas políticas envolvem fortes e bem planejados programas de capacitação e de comunicação, atividades estas gerenciadas pelo RH. Na empresas onde atuei firmávamos esta sólida parceria entre o RH e a qualidade, inclusive, participando eu e alguns de meus subordinados como auditores internos da qualidade o que estreitava mais ainda os nossos laços. A definição das competências e a descrição de cargos também é uma atividade gerenciada pelo RH com impacto direto na qualidade.

Assim as duas áreas somam forças e ficam mais fortes com isto, além do mais, juntas dão maiores e melhores resultados para toda a empresa.